Cinco reflexões que levamos do Fórum AB Diversidade

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Foto de uma plateia diversa sentada em cadeiras, de costas para a câmera, que acompanha uma palestra. No palco ao fundo, uma mulher com camisa branca e calça preta fala ao microfone. Atrás dela, um grande telão exibe o título

Em junho de 2026, participamos da nona edição do Fórum Diversidade no Setor Automotivo, promovido pela Automotive Business. Embora o evento tenha reunido lideranças do setor automotivo, muitas das discussões ultrapassaram esse contexto e trouxeram reflexões que fazem sentido para organizações de diferentes segmentos.

Nossa diretora e idealizadora do Movimento Web para Todos, Simone Freire, participou do painel sobre inteligência artificial e diversidade. Ao longo da programação, temas como liderança, inclusão de pessoas com deficiência, diversidade geracional e inovação mostraram que essas agendas estão cada vez mais conectadas.

Reunimos cinco reflexões que continuaram com a gente depois do evento. Confira abaixo.

Diversidade faz parte da estratégia

Durante muito tempo, diversidade foi tratada como uma pauta restrita às áreas de pessoas. No Fórum, ela apareceu integrada a discussões sobre inovação, tecnologia, cultura organizacional e tomada de decisão.

Quando diferentes perspectivas participam da construção de produtos, serviços e ambientes de trabalho, as soluções passam a responder melhor às necessidades das pessoas. Essa mudança de olhar atravessou praticamente todas as conversas do evento.

Inteligência artificial precisa do olhar humano

No painel “Diversidade e IA: inovação para todos ou exclusão automatizada?”, Simone Freire trouxe uma provocação importante sobre o papel da inteligência artificial nas empresas.

“A inteligência artificial acelera o desenvolvimento, mas ela ainda precisa, e vai precisar por um bom tempo, da validação do olhar humano.”

Foto de Simone Freire, sentada em uma poltrona no palco do evento, ao lado de outro palestrante do painel. Ela fala ao microfone, que segura com a mão direita, e ergue a mão esquerda para enfatizar a fala.
Simone Freire ao lado de Bruno Simão durante o painel “Diversidade e IA: inovação para todos ou exclusão automatizada?” no Fórum Diversidade no Setor Automotivo. Arquivo pessoal.

A tecnologia pode otimizar processos, apoiar a produção de conteúdo e acelerar o desenvolvimento de soluções digitais. Mas ela não elimina a necessidade de pessoas capazes de identificar barreiras e tomar decisões conscientes.

Quando ferramentas são treinadas com dados pouco diversos ou utilizadas sem diretrizes de acessibilidade digital, elas tendem a reproduzir desigualdades que já existem. O resultado pode aparecer em diferentes contextos, como traduções automáticas em Libras que não consideram regionalismos ou conteúdos produzidos por IA que deixam de fora descrições de imagens importantes para pessoas cegas.

A discussão reforçou um ponto que faz parte do nosso trabalho todos os dias. A tecnologia amplia possibilidades quando é construída considerando a diversidade das pessoas que vão utilizá-la.

Liderança começa pelas pessoas

Outra reflexão que atravessou diferentes painéis foi o papel da liderança na construção de ambientes mais inclusivos.

Em determinado momento, uma provocação chamou nossa atenção. Quando alguém afirma que não sabe lidar com pessoas, talvez também não esteja preparado para ocupar uma posição de liderança.

Gestão envolve decisões, processos e resultados. Mas envolve, principalmente, pessoas com trajetórias, necessidades e formas de trabalhar diferentes. Ignorar essa diversidade significa limitar o potencial das equipes.

O futuro também é intergeracional

As conversas sobre diversidade geracional trouxeram um olhar interessante sobre o futuro do trabalho.

A idade, sozinha, não determina capacidade, disposição para aprender ou potencial de inovação. Em vez de reforçar estereótipos sobre gerações, o desafio está em criar ambientes onde diferentes experiências convivam e aprendam umas com as outras.

Nesse contexto, a ideia de uma mentoria entre gerações apareceu como um caminho possível para promover trocas mais contínuas e menos hierárquicas.

Inclusão precisa acontecer desde o início

As discussões sobre pessoas com deficiência também deixaram um recado importante. A inclusão não termina na contratação.

Ela envolve desenvolvimento, oportunidades de crescimento, planos de carreira e condições para que cada profissional possa construir sua trajetória dentro da organização.

Esse raciocínio também vale para produtos, serviços e canais digitais. Quando a acessibilidade entra apenas no fim do processo, boa parte das decisões já foi tomada. Por isso, defendemos que ela faça parte do planejamento desde o começo. É esse olhar que orienta os projetos desenvolvidos pela Espiral.

Participar do Fórum AB Diversidade foi uma oportunidade para ouvir experiências, conhecer iniciativas de diferentes organizações e ampliar conversas que fazem parte do nosso dia a dia. Seguimos levando essas reflexões para cada projeto, acreditando que diversidade, acessibilidade e inovação produzem melhores resultados quando caminham juntas.

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