A Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) desempenha um papel estratégico na formação da magistratura brasileira. Para incorporar a acessibilidade de forma transversal às suas atividades, era necessário compreender as barreiras presentes não apenas nas plataformas digitais, mas também na comunicação, nas práticas pedagógicas e nos serviços institucionais.
No âmbito do projeto Formação Judicial Qualitativa, desenvolvido em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Espiral Interativa realizou um diagnóstico participativo de acessibilidade e inclusão, seguido da elaboração de um plano de soluções e da capacitação de equipes e lideranças.
Um diagnóstico construído com diferentes perspectivas
A investigação contemplou cinco jornadas institucionais (discente, docente, exame, compartilhamento e atendimento), com 27 itens previstos para análise, incluindo plataformas, conteúdos digitais, documentos, fluxos e interações com os públicos da Escola.
A metodologia combinou avaliações técnicas, testes com pessoas com deficiência, entrevistas, rodas de conversa e escutas presenciais em Brasília e remotas. Essa abordagem permitiu identificar barreiras em diferentes dimensões da acessibilidade e compreender como elas afetam as experiências reais das pessoas.
Das evidências às soluções
Com base nos resultados do diagnóstico, estruturamos um plano de ação com recomendações e prioridades definidas a partir do impacto das barreiras e da complexidade de implementação das soluções.
O trabalho ofereceu orientações para fortalecer a governança da acessibilidade e apoiar sua incorporação aos processos de comunicação, formação, tecnologia e atendimento da Enfam.
Conhecimento para transformar práticas
A etapa formativa reuniu quatro atividades, totalizando 10h30 de capacitação e 58 participações registradas. As oficinas e os encontros com lideranças foram desenvolvidos a partir dos desafios identificados no diagnóstico, com exemplos e orientações aplicáveis à realidade das equipes.
O projeto deixou como entregas um diagnóstico institucional, um plano estruturado de soluções e ações de formação voltadas à continuidade das melhorias.
Mais do que identificar problemas pontuais, a nossa atuação ajudou a organização a estabelecer caminhos para que a acessibilidade passe a integrar decisões, processos e experiências institucionais.